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TLDR: O Trade Republic entregou em julho um IBAN português aos seus 200 mil clientes em Portugal. O banco alemão, que já opera com licença do Banco de Portugal desde 2025, completa agora a transição para conta corrente plena: domiciliações, transferências SEPA, Multibanco e juros de 3% sem teto de saldo. Para quem tem dinheiro parado num banco tradicional sem rentabilidade, é uma alternativa concreta a avaliar.
O Trade Republic não é novo em Portugal. Chegou em 2021 como plataforma de investimento em ETFs, acções e criptomoedas, e rapidamente acumulou 200 mil clientes nacionais. O que mudou em julho foi estrutural: deixou de ser uma conta com IBAN alemão — que obrigava à declaração no Modelo 3 e criava fricção com empresas que não aceitavam IBANs estrangeiros — e passou a oferecer um IBAN com prefixo PT, emitido pela sucursal portuguesa registada no Banco de Portugal.
A mudança parece técnica, mas tem consequências práticas imediatas. Com IBAN nacional, o Trade Republic funciona como qualquer outro banco português para efeitos de domiciliação de salário, pagamento de recibos, transferências e levantamentos em caixas automáticas. O obstáculo que impedia muitos utilizadores de usá-lo como conta principal desapareceu.
O que o Trade Republic oferece agora
A conta remunera o saldo a 3,04% TAE, sem limite de montante e sem condições de vinculação. Os juros são calculados diariamente e creditados no primeiro dia de cada mês, com retenção na fonte de 28% aplicada automaticamente — o que simplifica a declaração de IRS. Não há comissões de manutenção, a cartão tem 1% de cashback em compras, e o atendimento ao cliente funciona 24 horas.
Para comparação: os depósitos a prazo mais competitivos do mercado português estão actualmente entre 2,5% e 3,2%, mas com restrições de prazo ou montante mínimo. O Trade Republic oferece 3,04% com liquidez imediata — o dinheiro está disponível a qualquer momento.
O contexto que importa: Euribor e inflação
A Euribor a 3 meses está actualmente em 2,493%, a mais alta desde março de 2025. O Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento para 1,8% em 2026, mas a inflação sobe para 3,1%, impulsionada pelos preços da energia associados às tensões no Médio Oriente. Num cenário de inflação acima de 3%, ter dinheiro numa conta à ordem sem rentabilidade equivale a uma perda de poder de compra garantida de 3% ao ano.
O Trade Republic a 3,04% não bate a inflação actual de forma clara, mas está substancialmente acima do que a maioria dos bancos portugueses paga nas contas à ordem — que é zero. A diferença entre 0% e 3,04% num saldo de 10.000 euros é de 304 euros por ano depois de impostos, sem qualquer risco adicional.
Para quem faz sentido e para quem não faz
Faz sentido se tem poupanças estacionadas numa conta à ordem ou num depósito com taxa baixa, se já investe em ETFs ou acções e quer centralizar numa só plataforma, ou se quer uma conta secundária remunerada sem burocracia. O Trade Republic não substitui o banco principal para quem precisa de crédito habitação, descoberto autorizado, ou atendimento presencial numa agência.
Um ponto a ter em conta: os depósitos estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até 100.000 euros por titular, tal como em qualquer banco autorizado em Portugal. A protecção é equivalente à de um banco tradicional.
Porque é que isto importa agora
O mercado de contas remuneradas em Portugal está a mudar rapidamente. O BCE manteve os tipos na reunião de julho mas avisou que o caminho volta a ser difícil — o que significa que as taxas de depósito podem continuar a subir nos próximos meses. Quem actua agora posiciona-se melhor do que quem espera.
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