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TLDR: A Autoridade Tributária tem até 31 de julho para depositar o reembolso do IRS 2026. Para quem entregou a declaração dentro do prazo, o dinheiro está a chegar nas próximas semanas. Antes de gastar, vale a pena parar dois minutos para perceber o que fazer com ele.
O reembolso médio do IRS em Portugal ronda os 850 euros. Não é uma fortuna, mas é dinheiro real que aparece numa conta bancária sem aviso prévio. E é exactamente por isso que a maioria das pessoas o gasta mal: como não estava no orçamento mensal, não entra no raciocínio de poupança. Vai para férias, para uma compra adiada, ou simplesmente desaparece no consumo corrente.
Há quatro formas de usar esse dinheiro que têm impacto financeiro real. Por ordem de prioridade.
Fundo de emergência primeiro
Se não tem três a seis meses de despesas mensais guardados numa conta separada, este é o primeiro destino. Um fundo de emergência não é investimento, não rende praticamente nada, e é exactamente isso que o torna útil. Está lá quando o carro avaria, quando o contrato termina, quando o frigorífico morre. Sem ele, qualquer imprevisto transforma-se em crédito ao consumo a 15% ao ano. Com ele, é apenas um inconveniente.
Guarde o reembolso numa conta poupança separada da conta corrente. O simples facto de estar numa conta diferente reduz a tentação de gastar. Vários bancos portugueses oferecem actualmente taxas entre 2,5% e 3% em contas poupança de curto prazo, o que não é nada mau para dinheiro que precisa de estar disponível.
Amortização extraordinária de crédito
Se tem crédito ao consumo, cartão de crédito com saldo, ou qualquer dívida com taxa acima de 5%, amortizar parcialmente é o melhor investimento que pode fazer. Uma dívida a 15% ao ano que desaparece é equivalente a um investimento com retorno de 15% garantido e sem risco. Não existe nenhum produto financeiro que ofereça isso.
A excepção é a hipoteca. Com taxas entre 3% e 4,75% dependendo do indexante, a matemática não é tão clara. Amortizar hipoteca faz sentido se não tiver fundo de emergência e não tiver outro crédito mais caro. Se tiver ambos resolvidos, há alternativas com melhor retorno esperado.
Investimento indexado
Com fundo de emergência e sem dívidas de consumo, 850 euros investidos num ETF de índice alargado (como o MSCI World ou o S&P 500, acessíveis via Trading 212, DEGIRO ou Interactive Brokers) têm um retorno histórico esperado de 7% a 10% ao ano, antes de impostos. Não é garantido, mas é o que os dados dos últimos cem anos mostram. O tempo no mercado bate o timing do mercado, e começar com 850 euros é sempre melhor do que começar com zero.
Formação com retorno mensurável
Uma última hipótese que poucos consideram: investir o reembolso em competências com impacto directo no rendimento. Um curso de inglês avançado, uma certificação técnica, ou um curso de gestão financeira pessoal com metodologia clara. O retorno não é imediato, mas é cumulativo. E ao contrário de um gadget ou de umas férias mais caras, uma competência não se deprecia.
O IEFP tem ainda disponível até 30 de junho o Cheque Formação + Digital, que reembolsa até 750 euros em formação de competências digitais com fundos europeus. Se ainda não usou, pode candidatar-se antes do prazo e usar o reembolso do IRS para cobrir o que o cheque não cobre.
Quando é que o dinheiro chega
A AT tem até 31 de julho para depositar o reembolso em quem entregou a declaração dentro do prazo de 30 de junho. Na prática, a maioria dos reembolsos é processada entre meados de julho e o final do mês. Quem entregou cedo e não tem situações complexas recebe mais depressa. Pode consultar o estado do reembolso no Portal das Finanças, em "Consultar" dentro da área do IRS.
Se a nota de liquidação ainda não apareceu, é normal. A AT está a processar milhões de declarações e ainda tem semanas pela frente.
P.S. Conhece alguém que está à espera do reembolso do IRS e ainda não sabe o que fazer com ele? Reenvie esta edição. A Leitura Financeira é gratuita e chega todas as semanas directamente ao email.
