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TLDR: O prazo de 31 de agosto para liquidar o IRS sem penalizações já passou para quem recebeu a nota de cobrança até 31 de julho. Na mesma semana, cerca de três quartos da descida do preço do gasóleo que ocorreu na semana de 24 a 30 de agosto reverteu a partir de segunda-feira, 1 de setembro. E um estudo da McKinsey publicado esta semana coloca Portugal num grupo de países europeus que reduziram a dívida mas perderam riqueza. Três desenvolvimentos com impacto directo no orçamento de quem entra em setembro.
O prazo de 31 de agosto para o IRS é uma data que passa despercebida para muitos contribuintes porque a comunicação do Estado não é clara sobre o que acontece se não for cumprida. A resposta é simples: juro de mora de 4% ao ano sobre o valor em dívida, calculado dia a dia a partir de 1 de setembro. Para quem recebeu a nota de liquidação com um valor a pagar, não há vantagem em esperar — o imposto é o mesmo, mas o custo aumenta a cada dia de atraso.
Se não recebeu ainda a nota de liquidação, não é afectado por este prazo. O prazo de 31 de agosto aplica-se especificamente a quem recebeu a nota de cobrança até 31 de julho de 2026. Para quem recebeu depois dessa data, o prazo de pagamento sem penalizações é calculado a partir da data da nota de cobrança, e não do dia 31 de agosto. Em caso de dúvida, o Portal das Finanças mostra o prazo exacto associado a cada nota de liquidação.
O gasóleo sobe de volta na segunda-feira
Cerca de três quartos da descida do preço médio do gasóleo simples que ocorreu na semana de 24 a 30 de agosto reverteu a partir de segunda-feira, 1 de setembro. Para quem abasteceu na semana anterior a tirar partido da descida, a decisão foi correcta. Os preços já voltaram a subir, e a tendência de volatilidade deve manter-se nas próximas semanas.
A volatilidade dos combustíveis está directamente ligada à situação no Médio Oriente, que continua a condicionar os preços internacionais do petróleo. Não há sinal de estabilização a curto prazo, o que significa que as variações semana a semana vão continuar a ser expressivas. Para quem depende muito do carro no orçamento mensal, vale a pena seguir os preços semanais no site da DGEG ou no GasFinder antes de cada abastecimento.
Portugal reduziu a dívida mas perdeu riqueza
Um estudo do McKinsey Global Institute publicado esta semana coloca Portugal num grupo de países europeus que conseguiram reduzir a dívida pública mas registaram simultaneamente uma diminuição da riqueza nacional. A explicação está numa combinação de produtividade estagnada e investimento insuficiente — dois factores que afectam o crescimento de longo prazo independentemente da saúde das contas públicas.
Para as finanças pessoais, este dado tem uma implicação prática: o crescimento da economia portuguesa não está a traduzir-se automaticamente em aumento do poder de compra para a maioria das famílias. A poupança individual e o investimento pessoal continuam a ser a alavanca mais fiável para construir riqueza num contexto em que a produtividade agregada não cresce suficientemente. Quem tem dinheiro parado sem rentabilidade está a perder poder de compra em termos reais, independentemente do desempenho da economia como um todo.
O contexto de setembro é, neste sentido, um bom momento para fazer um balanço: o IRS está a ser pago (ou já foi), os combustíveis vão subir, e o outono traz os maiores encargos do ano. Quem entrar em setembro com um fundo de reserva de pelo menos um mês de despesas fixas e com as poupanças a render acima da inflação está em melhor posição do que quem chega sem esses dois elementos.
P.S. Conhece alguém que ainda não pagou o IRS e não sabe que o prazo já expirou? Reenvie esta edição. A Leitura Financeira é gratuita e chega todas as semanas ao email.