Tempo de leitura: 4 minutos
TLDR: O prazo para entregar o IRS 2026 termina a 30 de junho. Se ainda não submeteu a declaração, tem exactamente 16 dias. A diferença entre entregar com atenção e entregar à pressa pode valer centenas de euros. Aqui está a checklist.
Todos os anos, milhares de portugueses deixam dinheiro na mesa do IRS por uma razão simples: entregam a declaração à pressa nos últimos dias, sem verificar o que a Autoridade Tributária pré-preencheu. Faturas mal classificadas, deduções que não aparecem, rendas não comunicadas. Pequenos erros que se traduzem em reembolsos mais baixos ou, pior, em imposto a pagar que podia ter sido evitado.
O prazo deste ano termina a 30 de junho, sem excepções. Quem não entregar dentro do prazo arrisca uma coima mínima de 150 euros, além de perder eventuais benefícios fiscais. Mas entregar a tempo não é suficiente. Entregar bem é o que faz a diferença.
A checklist antes de submeter
Aceda ao Portal das Finanças e percorra estes pontos antes de clicar em "submeter".
Verifique as despesas gerais familiares. O limite de dedução é de 250 euros por contribuinte (500 euros para casais). A AT calcula automaticamente, mas se mudou de morada ou teve despesas em zonas do interior, pode ter direito a majorações que não estão reflectidas.
Confirme as despesas de saúde. As faturas com IVA a 23% (óculos, dentistas, alguns tratamentos) só contam se tiverem receita médica associada. Se fez despesas significativas em 2025 e não as validou no e-Fatura, este é o último momento para reclamar.
Rendas de casa. Se é inquilino e comunicou o contrato à AT, a dedução pode chegar a 600 euros (ou 800 euros em zonas de forte pressão urbanística). Verifique se o valor correcto aparece no Anexo H.
Educação. Despesas com propinas, manuais e refeições escolares são dedutíveis até 800 euros por agregado. Confirme que as faturas estão correctamente associadas aos dependentes.
Simule antes de submeter. O Portal das Finanças permite simular a liquidação antes de confirmar. Compare o resultado com a tributação separada e conjunta (se aplicável). A diferença pode ser de várias centenas de euros.
IRS automático: verificar, não confiar
Se é elegível para o IRS automático, a AT já tem uma declaração provisória pronta. Mas "automático" não significa "correcto". A AT usa os dados que tem, e se alguma fatura foi mal classificada ou se houve alterações no agregado familiar que não foram comunicadas, o cálculo pode estar errado a seu desfavor. Abra a declaração provisória, compare com a simulação manual e só depois confirme.
Se não confirmar nem entregar uma declaração manual até 30 de junho, a declaração provisória converte-se automaticamente em definitiva, em tributação separada. Pode não ser o cenário mais favorável para si.
O que mais acaba a 30 de junho
O prazo para candidaturas ao Cheque Formação + Digital do IEFP também termina nessa data. O programa reembolsa até 750 euros em formação de competências digitais, financiado por fundos europeus. Se já usou uma vez, pode voltar a candidatar-se 12 meses depois. Não é uma dedução fiscal, mas é dinheiro disponível que a maioria das pessoas desconhece.
Porque é que isto importa
O IRS não é um formulário. É o momento do ano em que o Estado lhe devolve (ou cobra) dinheiro com base em decisões que já tomou. A única variável que ainda controla é a qualidade da entrega. Dezasseis dias é tempo suficiente para fazer isto bem. Menos do que isso, e começa a perder opções.
P.S. Conhece alguém que ainda não entregou o IRS? Reenvie esta edição. Pode valer-lhe centenas de euros.
