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TLDR: Os Certificados de Aforro atingiram o valor máximo permitido de 2,5% em outubro, a taxa mais alta desde o lançamento da Série F em junho de 2023. Na mesma semana, os contratos de crédito à habitação a taxa variável revistos em outubro vão sofrer um aumento da prestação — o maior aumento em cerca de dois anos. E o Banco de Portugal revelou que Portugal está entre os piores países europeus a remunerar depósitos, apesar da subida das taxas. Três notícias que descrevem a mesma realidade: quem age beneficia, quem espera perde.
Os Certificados de Aforro chegaram ao tecto legal. Com a Euribor a três meses a consolidar-se acima de 2,5%, a taxa base da Série F atingiu o máximo permitido por lei, e aí vai ficar enquanto a Euribor se mantiver neste patamar. Para quem já tem Certificados há mais de um ano, os prémios de permanência somam-se a esta taxa base — o retorno efectivo pode chegar a 4,25% no melhor cenário. Para quem ainda não subscreveu, este é o momento de o fazer: a taxa já está no máximo, e enquanto o BCE mantiver os juros altos, a situação não deverá reverter.
O processo é simples: subscrição no Portal das Finanças ou nos CTT, mínimo de 100 euros, reforços a partir de 10 euros, capital garantido pelo Estado. Depois dos primeiros três meses, o dinheiro pode ser resgatado a qualquer momento. Não há produto com melhor combinação de segurança, liquidez e retorno em Portugal neste momento para aforradores conservadores.
A prestação da habitação sobe em outubro
Os contratos de crédito à habitação a taxa variável que sejam revistos em outubro vão sofrer um aumento da prestação — o maior em cerca de dois anos. A razão é a Euribor: o euríbor a 12 meses fechou setembro de 2026 com uma média de 3,251%, certificada pelo Banco de Espanha — a cota mais alta desde julho de 2024, com uma variação anual de +1,126 pontos percentuais.
Para uma hipoteca média de 150.000 euros a 25 anos com diferencial de 1%, a revisão de outubro com base no euríbor de setembro (3,251%) versus setembro do ano passado (2,187%) pode representar entre 70 e 100 euros mais por mês. Não é uma variação catastrófica, mas é um encargo adicional que tem de entrar no orçamento antes de chegar a carta do banco.
Se a sua hipoteca revisa em outubro e ainda não calculou o impacto, faça-o esta semana. O simulador do Banco de Portugal permite calcular a nova prestação com base na Euribor actual. Mais vale saber antes do que descobrir no extracto bancário de novembro.
Portugal é dos piores a remunerar depósitos na Europa
O Banco de Portugal revelou que os juros dos depósitos ficam abaixo da média europeia em todas as modalidades, mas que a elevada proporção de depósitos a prazo atenua a diferença. Traduzindo: os bancos portugueses pagam menos do que a média europeia pelos seus depósitos, o que é consistente com a falta de pressão competitiva num mercado bancário concentrado.
Este dado tem uma implicação directa: se o seu banco paga menos do que a média europeia, há alternativas disponíveis em Portugal que pagam mais. O Trade Republic (3,04% TAE, IBAN português, sem condições) e os próprios Certificados de Aforro (2,5% base mais prémios) são os dois produtos mais directamente acessíveis para residentes em Portugal que queiram superar o que os bancos tradicionais oferecem. Comparar antes de renovar um depósito a prazo é a acção mais simples com maior impacto financeiro possível neste contexto.
O que fazer esta semana
Três movimentos concretos. Primeiro, verificar se tem Certificados de Aforro e qual é a taxa efectiva com os prémios de permanência — se subscreveu há mais de um ano, o retorno real já supera os 2,5%. Segundo, calcular o impacto da revisão hipotecária de outubro antes de receber a notificação do banco. Terceiro, comparar o que o seu banco paga nos depósitos com as alternativas disponíveis — a diferença pode ser de 1 a 1,5 pontos percentuais ao ano, que em 10.000 euros é entre 100 e 150 euros por ano.
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P.S. Conhece alguém que tem a hipoteca variável a rever em outubro e ainda não fez as contas? Reenvie esta edição. A Leitura Financeira é gratuita e chega todas as semanas ao email.