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TLDR: O Banco Central Europeu manteve na quinta-feira, 29 de outubro, a taxa de depósito em 2,5%, mas deixou claro que uma nova subida em dezembro continua em cima da mesa. No dia anterior, o Orçamento do Estado para 2027 foi aprovado na generalidade, com a abstenção do PS. A votação final global está marcada para 24 de novembro. E o corte de 50% na retenção na fonte do IRS chega aos salários e pensões de novembro. Três datas que mexem com a prestação da casa e com o salário líquido dos próximos meses.
A decisão do BCE foi a esperada pelos mercados, mas a mensagem por trás dela importa mais do que o número. O Conselho de Governadores manteve inalteradas as três taxas diretoras, em 2,5% para os depósitos, 2,65% para as operações principais de refinanciamento e 2,90% para a cedência de liquidez. A razão invocada foi a subida contínua dos preços da energia, que pressiona a inflação para cima e o crescimento para baixo. Segundo a imprensa económica, a possibilidade de uma subida já nesta reunião chegou a ser debatida, e os analistas apontam agora para dezembro, com eventual nova subida no início de 2027.
O contexto institucional também mudou. A presidente Christine Lagarde anunciou no mesmo dia que deixa o cargo a 7 de fevereiro de 2027, nove meses antes do previsto. O BCE reafirmou que não se compromete com uma trajetória específica para os juros e que cada decisão depende dos dados. Em linguagem simples: ninguém sabe o que vem em dezembro, e a incerteza em si já mexe com a Euribor.
O que isto significa para quem tem crédito à habitação
A Euribor reage às expectativas, não apenas às decisões. Nos últimos dias, a Euribor a 12 meses tem andado em torno dos 3,3%, perto dos máximos do ano. Para quem tem hipoteca variável com revisão anual em novembro, os cálculos publicados esta semana apontam para uma prestação mais alta: num empréstimo de 167.000 euros a 25 anos, com Euribor mais 0,75 pontos de spread, o aumento ronda os 93 euros por mês. O valor exacto depende do capital em dívida, do prazo restante e do indexante aplicado na data da revisão.
Há uma conta que vale a pena fazer antes de a carta do banco chegar: some o spread contratado à Euribor do mês da sua revisão, aplique essa taxa ao capital em dívida e compare com a prestação actual. Quem sabe o número com antecedência consegue ajustar o orçamento. Quem descobre no extrato bancário só tem uma opção, que é pagar.
O OE2027 passou o primeiro teste
Na quarta-feira, 28 de outubro, o Orçamento do Estado para 2027 foi aprovado na generalidade com os votos a favor de PSD e CDS-PP e a abstenção de PS, PAN e JPP. Chega, IL, Livre, PCP e BE votaram contra. A aprovação era dada como certa depois de o PS ter anunciado a abstenção, e o debate decorreu em clima de contestação, com uma manifestação pela habitação junto ao Parlamento.
O calendário até ao fim está definido. Os partidos podem entregar propostas de alteração até 6 de novembro, data em que o ministro das Finanças volta a ser ouvido. A discussão e votação na especialidade decorrem entre 18 e 23 de novembro, e a votação final global é a 24 de novembro. O PS comprometeu-se a apresentar medidas de apoio às famílias sem agravar o saldo orçamental previsto, de 0,1% do PIB. É nesta fase que se confirmam os valores concretos da descida do IRS, da dedução de rendas e do salário mínimo.
E o salário de novembro
Um lembrete prático para esta semana: a retenção na fonte de IRS é reduzida a metade nos rendimentos do trabalho e nas pensões pagas em novembro, incluindo o subsídio de Natal pago nesse mês. Em dezembro voltam as tabelas actuais. Verifique o recibo de novembro e trate o valor a mais como uma antecipação do acerto do IRS, não como um aumento permanente. Para quem tem a prestação da casa a subir, reservar parte desse extra para a diferença nos próximos meses é uma utilização que se paga a si própria.
P.S. Conhece alguém com hipoteca variável que ainda não calculou a revisão de novembro? Reenvie esta edição. A Leitura Financeira é gratuita e chega todas as semanas ao email.