Olá,
obrigado por estar de volta. Esta é a segunda edição, e prometo que esta semana há matéria.
A história principal vai surpreender quem tem crédito à habitação. Vamos a isso.
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A história da semana
O BCE não mexeu em Abril. Mas a subida vem aí em Junho.
Vale a pena perceber isto antes de toda a gente. No final de Abril, o BCE manteve as taxas directoras nos 2%, onde estão desde meados do ano passado. Mas o discurso mudou. A maioria dos analistas espera agora uma subida de 0,25 pontos na reunião de 11 de Junho, levando a taxa para 2,25%. Os mercados descontam essa subida com cerca de 90% de probabilidade.
A causa é o choque energético. Com a guerra no Médio Oriente a empurrar o barril de petróleo acima dos 115 dólares, a inflação voltou a ser uma ameaça séria, e o BCE já avisou que não a vai tolerar muito mais. A própria Euribor antecipou-se. A taxa a 6 meses, usada por 39,2% dos créditos à habitação portugueses com taxa variável, está nos 2,556%, depois de ter invertido a descida das últimas semanas. (Fonte: Banco de Portugal, dados de Abril 2026.)
O que isto significa em euros? Para um casal com crédito de 180.000 euros a 35 anos indexado à Euribor 6M, uma subida de 0,5 pontos percentuais significa cerca de 48 euros a mais por mês na prestação. São 576 euros por ano. E se Junho confirmar a subida do BCE mais a tendência da Euribor, este cenário deixa de ser hipótese.
Há três coisas que vale a pena fazer antes de Junho, se tem hipoteca.
Comece por descobrir qual a sua Euribor. Os créditos novos em Portugal estão maioritariamente indexados a 6 meses, mas há contratos antigos a 3 e a 12 meses. A próxima revisão depende disso.
Depois, veja o seu spread. Se está acima de 1%, vale a pena pedir simulação de transferência para outro banco. Os melhores spreads do mercado estão hoje entre 0,75% e 0,95%.
Por fim, avalie se vale a pena passar a taxa fixa. Em Portugal, as taxas fixas a 5 e 10 anos estão a oscilar entre 3% e 3,8%, mais do que a Euribor mais spread actual, mas com previsibilidade. Se o BCE subir em Junho e o conflito piorar, fixar agora pode tornar-se relativamente barato.
A reunião do BCE é a 11 de Junho. Desta vez, ao contrário das últimas sete, há mudança esperada. O que decidir até lá pode fazer diferença na prestação dos próximos anos.
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Três notícias que importam
O salário médio em Portugal subiu para 1.694 euros brutos em 2025. É mais 5,6% face a 2024, e mais 3,2% em termos reais, descontando a inflação. Terceiro ano consecutivo de ganhos de poder de compra após a crise inflacionista de 2022. Mas atenção ao salário mediano, que continua nos 1.000 a 1.050 euros. Metade dos trabalhadores recebe menos do que isso. (Fonte: INE, estatísticas do emprego 2025.)
O Banco de Portugal prepara-se para reduzir a taxa de esforço máxima nos créditos à habitação. É uma medida macroprudencial. Significa que, para futuros créditos, o banco poderá exigir que a prestação seja uma percentagem menor do rendimento, provavelmente baixando de 50% para 40% ou 45%. Quem está a pensar comprar casa nos próximos meses tem de saber que o valor que conseguirá pedir emprestado pode diminuir.
O salário mínimo em 2026 é de 920 euros brutos. São mais 50 euros do que em 2025, uma subida de 5,75%. Em líquido, ronda os 818 euros após desconto da Segurança Social de 11%. Cerca de 1,5 milhões de trabalhadores em Portugal recebem este valor, aproximadamente 35% de quem tem contrato. O subsídio de alimentação não está incluído neste valor.
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Ferramenta da semana
Wise
Para quem recebe pagamentos em moedas estrangeiras ou envia dinheiro para fora da zona euro, a Wise é provavelmente a forma mais barata de o fazer em Portugal.
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Pensamento para a semana
Não controlamos a Euribor. Controlamos quando agimos.
A história do BCE desta semana é um lembrete útil. A maior parte dos factores que afectam as nossas finanças pessoais, como taxas de juro, inflação e mercados, está fora do nosso controlo.
Mas há sempre uma coisa que podemos controlar: quando agimos.
Quem renegociou o crédito em Janeiro está hoje em melhores condições do que quem está a pensar fazê-lo agora. Quem moveu o dinheiro parado para uma conta-poupança há seis meses já recuperou parte do que a inflação levou. Quem decidiu olhar para o orçamento esta semana, em vez de em Setembro, tem mais quatro meses para ajustar.
Não é preciso adivinhar o que vai acontecer. Basta não adiar o que já se podia ter decidido.
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Para a semana, mais notícias e outra ferramenta.
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— Leitura Financeira
