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TLDR: Uma nova recomendação do Banco de Portugal estabelece como regra que os bancos só devem aprovar crédito se a taxa de esforço de todos os empréstimos do cliente não superar 45% do rendimento líquido mensal. Em simultâneo, as novas regras para o pagamento do IUC foram publicadas em Diário da República a 4 de agosto. E a inflação desceu para 2,85% em junho. Um conjunto de mudanças que afectam directamente o orçamento de quem tem ou quer ter crédito.

A regra dos 45% não é nova na teoria mas passa a ser um critério formal e vinculativo para os bancos. Na prática significa que se os seus empréstimos actuais — hipoteca, crédito pessoal, cartão de crédito com saldo — já representam 45% do seu rendimento líquido mensal, o banco deve recusar qualquer novo pedido de crédito adicional. É uma medida de protecção ao consumidor que o Banco de Portugal quer ver aplicada de forma consistente.

Para quem está a pensar contratar crédito habitação nos próximos meses, este critério é o mais importante a ter em conta antes de falar com o banco. Um casal com rendimento líquido conjunto de 2.500 euros tem um limite de 1.125 euros mensais para todas as prestações de crédito somadas. Se a hipoteca que pretendem pedir implica uma prestação de 900 euros, ainda têm margem. Se implica 1.200 euros, o banco vai recusar — independentemente da garantia ou do valor do imóvel.

As novas regras do IUC publicadas esta semana

As novas regras para o pagamento do Imposto Único de Circulação foram publicadas em Diário da República a 4 de agosto de 2026 através do Decreto Lei n.º 161/2026. Os detalhes do decreto ainda estão a ser analisados, mas a tendência das últimas revisões do IUC tem sido no sentido de uma maior penalização de veículos mais antigos e com maior emissão de CO2, e de benefícios para veículos eléctricos e híbridos plug-in.

Se tem um veículo com mais de 10 anos ou com cilindrada acima de 2.000cc, vale a pena consultar o simulador do IUC no Portal das Finanças para perceber se o valor a pagar em 2027 vai subir. A maioria dos proprietários de veículos standard não deve sentir impacto significativo, mas os casos extremos podem ter alterações relevantes.

A inflação desceu — mas o que isso significa de facto

No mês de junho a taxa de inflação foi de 2,85%, descendo face aos 3,2% de maio. É uma boa notícia, mas com nuances. A descida foi impulsionada principalmente pelos preços da energia, que são voláteis e podem reverter rapidamente. Os preços dos serviços e da alimentação continuam a subir acima de 2%, o que significa que a cesta de compras típica continua a encarrecer.

O impacto prático para quem tem poupanças: a taxa de juro médio dos novos depósitos na área euro fixou-se nos 2,09%, mais 0,13% face ao mês anterior. Com inflação a 2,85% e depósitos a 2,09%, quem tem dinheiro aplicado num depósito médio continua a perder poder de compra em termos reais. A diferença entre um depósito médio e os melhores produtos disponíveis (Trade Republic a 3,04%, Revolut a 3,51%) é a diferença entre perder e ganhar poder de compra real.

O que fazer com esta informação

Três movimentos concretos. Se tem crédito e está a pensar em contratar mais, calcule já a sua taxa de esforço actual: some todas as prestações mensais e divida pelo rendimento líquido. Se o resultado ultrapassar 35%, já está numa zona de risco mesmo antes do novo limite dos 45%. Se tem um veículo sujeito a IUC, consulte o simulador do Portal das Finanças antes do fim do ano para evitar surpresas. E se tem dinheiro em depósitos que rendem menos de 2,5%, este é o contexto que justifica rever onde está a aplicar as poupanças.

P.S. Conhece alguém que está a pensar pedir crédito habitação nos próximos meses? Reenvie esta edição. A Leitura Financeira é gratuita e chega todas as semanas ao email.

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